O Modelo OSI

A LENDA DAS MATRIOSHKAS

Há muitos e muitos anos atrás na velha Rússia, um artesão esculpiu uma boneca de madeira tão linda que, ao invés de vendê-la, resolveu ficar com ela e a batizou de Matrioshka (Fig. 5.1). Todas as noites o artesão perguntava se ela estava feliz. Ela sempre respondia que sim. Até que certa noite disse que estava triste porque não tinha um bebê.


O artesão esculpiu, então, uma boneca menor chamada Trioshka e a colocou dentro dela. Na noite seguinte, foi a vez de Trioshka pedir um bebê. O artesão esculpiu uma nova boneca, chamada Oshka e a colocou dentro de Trioshka. Oshka por sua vez também pediu um bebê e o artesão, receoso de que os pedidos não tivessem fim, esculpiu uma nova boneca, porém, desenhou um bigode e o chamou de Ka, garantindo que seria homem e não iria pedir um bebê. Esse brinquedo russo feito de diversos materiais tem como característica principal o encaixe das bonecas uma dentro da outra. (Adaptado de http://www.dicaseturismo.com.br).

Você deve estar-se perguntando: O que é que essas bonecas russas têm a ver com as redes de computadores, professor? Têm muito a ver!

As mensagens enviadas através da rede podem ter tamanhos que variam de alguns bytes a bilhões de bytes. Para que as mensagens cheguem ao destino com segurança e eficiência, elas são quebradas em pequenos pedaços e colocadas dentro de pacotes, blocos de dados cujo tamanho depende da topologia da rede e da tecnologia do enlace entre os nós.

Nas diversas fases de envio, os pacotes são colocados dentro de outros pacotes com informações sobre o endereço de origem e destino, tipo de dados, segurança, entre outras. Ao chegar ao destino, o pacote experimenta o processo inverso que vai abrindo o pacote mãe (Matrioshka) e retirando o pacote filho, até restarem somente os dados da mensagem. Esta técnica, chamada de encapsulamento é usada no modelo de rede OSI que você vai conhecer a seguir

Encapsulamento: Ato ou efeito de encapsular. Acondicionar em cápsula. Proteção, escudo. 

 Conhecendo o modelo OSI

Os modelos de rede foram criados com o objetivo de permitir a comunicação entre dispositivos e sistemas de diferentes fabricantes e desenvolvedores de aplicações. Na prática, de uma maneira geral, é um conjunto de procedimentos (protocolos) e de dispositivos que controlam o fluxo de dados para que dois computadores, independentemente dos sistemas operacionais que estão executando, se comuniquem na rede. A ideia central do modelo de referência OSI é que máquinas rodando Windows, Linux, IOS e outras plataformas tenham total conectividade se as interfaces de rede e dispositivos de comunicação forem projetadas segundo o modelo.

O modelo de Interconexão de Sistemas Abertos (Open Systems Interconnection) – OSI é uma arquitetura em forma de camadas que caracteriza e padroniza a operação de dispositivos de comunicação.

No modelo OSI, o processo de comunicação entre dois nós é dividido em sete camadas, sendo que cada camada contribui para que o pacote chegue ao destino. O modelo define sete camadas: física, enlace de dados, rede, transporte, sessão, apresentação e aplicação. A primeira camada (física) está conectada com o meio físico, como, por exemplo, um cabo de fibra ótica, enquanto a última camada (aplicação) está ligada ao sistema operacional.

As quatro primeiras camadas estão relacionadas com o hardware de rede como cabos, conectores, interfaces de rede e ativos de rede que você vai conhecer nas próximas aulas. As três últimas camadas do modelo estão relacionadas ao software, isto é, protocolos de autenticação do usuário, codificação e aplicativos cliente-servidor como navegador e servidor WEB, por exemplo.

O modelo OSI usa o conceito de encapsulamento apresentado no início da nossa aula para enviar e receber mensagens. A mensagem é enviada pelo sistema operacional para a camada de aplicação que encapsula em um pacote e envia para a próxima camada. Esse processo se repete nas camadas seguintes até o despacho para o meio de transmissão pela camada física. Na recepção, é feito o processo inverso no qual a camada equivalente retira o pacote e envia para a camada seguinte.

Complicou? Então vamos fazer uma viagem dentro de uma mensagem através do modelo. A figura 5.2 mostra o seu computador conectado a um computador remoto. Aperte o cinto que vamos decolar. Pronto(a)? Então vamos lá! 

Nossa viagem começa quando você envia um e-mail para alguém...


A mensagem digitada é enviada pelo sistema operacional para ser entregue ao destinatário, chegando à primeira do modelo OSI.

Camada de aplicação – Nesta camada estão os serviços de rede usados pelos usuários como transferência de arquivos, navegação na Web e correio eletrônico. É a camada mais próxima do usuário, diretamente ligada ao sistema operacional.

Vamos embarcar no pacote gerado pela camada de aplicação e acelerar até a camada de apresentação. 

Camada de apresentação – Responsável pela maneira como os dados da mensagem são tratados, essa camada pode fazer a compactação dos dados para envio mais rápido ou a criptografia dos dados para aumentar a segurança. 

Criptografia s.f. Codificação de um texto ou outra informação armazenada num computador, para que só possa ser lido por quem detenha a senha de sua decodificação. 

Com os dados devidamente tratados, vamos continuar a viagem descendo para a próxima camada do modelo OSI. 

Camada de sessão – Aqui é estabelecida a comunicação entre as aplicações. Para o serviço de correio, é necessário autenticar (nome do usuário e senha) para estabelecer a sessão. No caso de falha da autenticação, a sessão será negada e o pacote é descartado. Mas não é o nosso caso! Ufa! Ainda bem!

Com a sessão estabelecida, seguimos para a camada de transporte.

Camada de transporte – Esta camada define se os pacotes serão transportados com ou sem garantia de entrega. A mensagem é quebrada em pacotes chamados de segmentos.

Com a conexão ativa e com a garantia da entrega, vamos embarcar no segmento e alcançar a camada onde vamos deitar na rede!

Camada de rede – Responsável pela interconexão de redes de diferentes topologias, como, por exemplo, conectar uma rede estrela a uma rede anel. Esta camada é responsável por o endereçamento de rede enviar pacotes para qualquer nó da rede. A internet existe hoje graças ao trabalho executado por esta camada! Os roteadores fazem parte dela.

Ao invés de descanso, tivemos foi muito trabalho! O nosso segmento foi encapsulado em um pacote chamado datagrama, foi identificado com um endereço de rede e aguarda a partida. Vamos em frente!

Camada de enlace – Esta camada recebe o datagrama da camada de rede o encapsula em outro pacote chamado de quadro e despacha para a camada física. Ela também é responsável pelo controle de acesso ao meio, pelo endereço físico e pela verificação de erros de transmissão. Os comutadores (switches) fazem parte desta camada. 

Datagrama: É uma unidade de transferência básica associada a uma rede de comutação de pacotes em que a entrega, hora de chegada, e a ordem não são garantidos.  

Quadro: É o pacote de dados que circula no meio físico entre dois nós de uma rede. Além dos dados, contém os endereços físicos da origem e do destino e uma sequência de bits de verificação da integridade do quadro.  

Prepare-se que vamos sair da proteção do computador para enfrentar os perigos do meio de comunicação. O controle de acesso vai cuidar para que não haja colisão com outro quadro e os bits do quadro serão codificados em sinais e enviados através do enlace físico.

Camada física – É responsável pelo envio e recepção dos sinais através dos meios de comunicação e define o tipo de cabo, os conectores, as interfaces de rede e outros dispositivos como modems, concentradores e repetidores, que estabelecem o enlace físico entre os dois nós de uma rede de computadores.

Muito bem! Após a turbulência do meio de comunicação, chegamos à camada física do computador do seu amigo. Vamos descer do quadro e o deixar seguir viagem através das camadas no sentido inverso.

Vamos conferir a sua explicação! Após receber o quadro da camada física, a camada de enlace verifica se o endereço físico e os dados do quadro estão corretos. Retira então o datagrama e o entrega à camada de rede que retira o segmento e o entrega à camada de transporte. As camadas seguintes executam o mesmo processo, retirando os cabeçalhos correspondentes até que a mensagem seja entregue na caixa de correio do amigo. Acertou? Parabéns! Vamos aprender mais!



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